"A Bíblia é para o teólogo o que a natureza é para o cientista: a fonte de fatos concretos. O teólogo reverente adota, para averiguar o que a Bíblia ensina, o mesmo método que o filósofo adota para averiguar o que a natureza ensina."
(OLSON, 2009, p. 7).
Considero
muito importante que, antes de iniciar a discussão sobre o que Singer (2002)
aponta sobre a ética, evidenciar que os apontamentos que farei neste trabalho
vão além da apologética cristã, isto porque, a fé que tenho em Cristo é o
fundamento da minha existência, do meu pensar.
Após
a leitura do texto que tive acesso para servir como base às referidas
discussões, fui instigada por conhecer quem é Peter Singer, afinal, não posso
“julgar um livro após ter lido somente uma página do mesmo”, assim também não
sinto-me confortável de falar sobre as ideias de alguém que não conheço mais um
pouco, para além da partícula do capítulo lido. No site da universidade de
Princeton constam algumas informações sobre si. O australiano Peter Albert
David Singer trabalha com as questões de ética aplicada e prática, além de
bioética (vida animal e vida humana) desde o final dos anos 90.
Por meio das leituras tidas sobre seus
pensamentos por outras vias que não seus escritos, foi possível perceber o
quanto as ideias dele se diferenciam da minha. Reitero que, não vou negar a
minha crença, os meus princípios aos discursar no presente texto. Dessarte, ao
que é meu dever fazer, assim sucede-se.
Singer, no primeiro capítulo de sua obra
“Ética Prática” apresenta quatro compreensões do que a ética não é. Ele diz que ética não é uma série de proibições sobre o sexo. Para o autor, há questões mais
interessantes para falar de ética do que tratar sobre a discussão da moral
sexual. Se ele não faz essa discussão por não ter muito conhecimento sobre, ou
ainda não discute por não haver argumentos suficientes, é preferível não haver
posicionamento. Concordo nesses casos.
O segundo fato que a ética não pode ser
considerada, de acordo com o autor, trata-se de a ética ser proveitosa somente na teoria e na prática não.
Posiciona-se dizendo que seguir normas simples pode acabar em desastre. Mas
como assim, Singer? Se elas se constituem para o bem, do amar ao próximo como
eu mesma, não há mal nelas. Deixa em dúvida o fato de a ética ser utilitarista
ou não, no decorrer do seu texto. Mais adiante, dá um exemplo de que, se
vivêssemos na Alemanha nazista e a Gestapo chegasse perguntando sobre algumas
famílias judias, seria certo dizer, segundo ele, que não havia judeus por
perto. Bom, Corrie Tem Boom e sua família ajudou muitos judeus a se esconderem
dos nazistas. Foram pegos pela Gestapo; Corrie, especificamente, foi solta, mas
mesmo em meio a toda sua aflição, era confiante.
Por que insisto a versar sobre fé? Pois se
relaciona ainda mais com a terceira ideia de que a ética não é, para Singer.
Ele diz que a ética não é algo que pode
ser entendido somente no âmbito da religião. Aponto que ele não pode falar
de algo que não se tem conhecimento... O autor diz que Platão refutou a
afirmação da questão de Deus aprovar ou não nossas ações. Mas quem veio
primeiro? Quem é mais importante? Platão existiu, trouxe uma inegável contribuição
filosófica e se foi. Deus subsiste. Infelizmente Singer não entende como Deus é
bom, pois Ele é em si mesmo, não necessitando de normas, regras, pois é
perfeito. Nós não. Saberíamos viver sem saber para onde ir? Saberíamos viver
sem limites, libertinos? Alguns certamente pensam que sim, penso que precisam
rever sua posição. Concordo com Singer quando diz que para ter um comportamento
ético, não necessariamente é preciso crer no céu e no inferno. Mas para que
serviria toda essa bondade se não tiver a graça? Entro num campo extremamente
teológico quando abordo esse fato e é o que considero, sem reservas, o mais
apropriado para comentar e discutir essa terceira ideia.
O autor apresenta a quarta ideia: ética não é relativa ou subjetiva. Singer
apresenta-a de acordo com um consequencialismo, ou seja, dependendo da
consequência de determinada ação, ela poderá ser considerada correta ou não.
Conforme ele, foi a partir do século XIX a popularidade das crenças e as
práticas morais de sociedades distantes. Mas é estupendo que, quando se faz um
estudo histórico social por meio das Sagradas Escrituras Cristãs, se entende o
motivo da “popularidade” dessas crenças e práticas morais acabar se tornando,
de certa forma, “distante”.
Essas foram as quatro ideias apresentadas por
Peter Singer no início do seu livro, mas logo à frente dessa seção do texto, o
autor diz que “o raciocínio ético é possível” para a existência da ética
prática (p. 16), no sentido de que a razão é ponto crucial à ética. Para ele, para se ter um raciocínio ético, não
é necessário existir fatos éticos. Compreendo por tal ideia que, não é preciso
existir primeiro uma questão bioética, sobre o aborto, por exemplo, para ter um
raciocínio ético sobre a mesma, independente do que se acredita.
Não posso fugir do que, mais que acredito,
creio. Compreendi pela leitura de somente o texto Ética Prática, que o autor
busca fiar-se no seu eu, na sua mente, sua capacidade de raciocinar (o que é
dom de Deus). Sem dúvidas, para mim, o ser humano tem a possibilidade de ir por
este ou aquele caminho, fazer isso ou aquilo, mas precisa entender dos limites,
dos direitos, dos deveres. Não compreendo uma sociedade que liberal que
sobreviva, pelo menos não quero estar por aqui participar desse momento.
Para serenar o que talvez se tornou
conturbado, declaro minha total ciência de que vivemos em um sociedade, ou
melhor, um mundo com diversas sociedades, com uma gama de conceitos,
princípios, crenças, diversas e até inimagináveis à nossa realidade. Isto
posto, qual é a importância de tudo que fora dito? Compreender que não é só o
meu pensamento que existe, mas diversos outros, díspares ou consonantes e que
devo respeitá-los, porém, quando esse pensamento gera uma ação que vai contra a
vida humana, que vai contra o que acredito, aprendi a não participar de
mixórdia, mas fazer o que sempre procuro realizar.
REFERÊNCIAS
MYER, Pearlman. Conhecendo as doutrinas da Bíblia. 3. ed.
São Paulo: Editora Vida, 2009.
SINGER, Peter. Ética Prática. São Paulo: Martins
Fontes, 2002.
¹ O presente texto foi redigido mediante solicitação de atividade para a área de Ética e Bioética do curso de Licenciatura em Pedagogia.
¹ O presente texto foi redigido mediante solicitação de atividade para a área de Ética e Bioética do curso de Licenciatura em Pedagogia.
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